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Paraíso informe [Paraíso – Colecção Privada]

7 Out 2012

Paraíso – Colecção Privada. Coreografia: Marlene Monteiro Freitas. Foto J.Pedro Martins.

Paraíso – Colecção Privada. Coreografia: Marlene Monteiro Freitas. Intérpretes: Yair Barelli, Lorenzo De Angelis, Luís Guerra, Andreas Merk, Marlene Monteiro Freitas. Música: Nosfell. Luz: Yannick Fouassier. Figurinos. Marlene Monteiro Freitas. Produção e difusão: Andreia Carneiro (Bomba Suicida, Lisboa, PT), Erell Melscoet (FR). Co-produção: Les Spectacles Vivants, Centre Pompidou (FR), L´Échangeur, CDC Picardie (FR), CCN de Tours, direction Thomas Lebrun (FR; accueil studio), CCN de Rillieux-la-Pape, direction Yuval Pick (FR; accueil studio), Ballet National de Marseille, CCN, direction Frédéric Flamand (FR; accueil studio), CDC Uzès Danse (FR), Bomba Suicida (PT; estrutura financiada pelo Ministério da Cultura e Direcção-Geral das Artes), Festival Circular, Vila do Conde (PT), Maria Matos, Teatro Municipal (PT) Apoio à difusão Départs, com o apoio do Programa Cultura, da União Europeia Apoios Fundação Calouste Gulbenkian (PT), Alkantara (PT), Atelier Re.Al (PT), L’A./Rachid Ouramdane (FR), CNDC Angers, direction Emmanuelle Huynn (FR). Circular – Festival de Artes Performativas, 8.ª edição, Vila do Conde, 21 Setembro 2012.

Man has escaped from his head, as the condemned man from prison. [1]
Georges Bataille

O primeiro número da revista Acephale, publicada em 1936 e de que Georges Bataille foi co-autor, contém na capa uma ilustração de André Masson: uma figura humana nua e sem cabeça, representativa do texto “A Conjuração Sagrada”   [La conjuration sacrée] publicado nesse número por Bataille. Em números subsequentes, a mesma figura surge não mais acéfala, mas completada pela cabeça majestosa de um touro. Se a vida humana se excede ao servir como cabeça e razão do universo – lê-se no referido texto de Bataille – impondo-se como uma necessidade ao próprio universo, ela aceita, por seu lado, uma servidão.

Nem as ilustrações da figura humana acéfala, ou encimada por uma cabeça de touro, nem o texto propõem um regresso do homem à animalidade, mas reiteram o carácter aporético que acompanhou toda a obra de Bataille: o humano e o animal, o sacrifício religioso e o erotismo, o proibido e a transgressão, ou o informe como forma do universo.

O Paraíso (privado) que a coreógrafa e intérprete Marlene Monteiro Freitas apresentou, em estreia, na 8.ª edição do Circular – Festival de Artes Performativas, Vila do Conde, no passado dia 21 de Setembro, é feito da mesma massa informe e aporética, onde o humano se assume ora como possível demiurgo criador do seu paraíso imaginário, ora pela hibridez não categorizável de corpos de homem com cabeças e caudas de animais, tudo envolto numa atmosfera onírico-bizarra de transgressão, manipulação, submissão, entre o sagrado, o erótico e o profano.

A imagem inicial desse “Paraíso” é-nos dada pela caixa negra do palco, pontuada por focos de luz todos iguais, dispostos nas laterais e na teia, que imprimem uma presença ocular minimal, porém, intensa e quente.

Uma única personagem no “Paraíso” antes da entrada do demiurgo: uma figura masculina sentada de costas para a plateia, cabeça de um possível réptil, torso nu onde se pode adivinhar pintado a negro o corpo de uma serpente – importação de um elemento da génese judaico-cristã: o animal maldito do jardim do Éden. Marlene Monteiro Freitas é o demiurgo, a maestrina desta orquestra e coreografia imaginária de um “Paraíso” privado que, ao som de uma composição musical intensa, faz entrar os corpos dos outros três intérpretes, troncos despidos de costas voltadas para a plateia e, na cabeça, figuras alegóricas de animais, voltadas de frente para os espectadores. A maestrina conduz os movimentos dos intérpretes e, simultaneamente a música, manipulando-os à distância com gestos simples, ordenações do olhar e mímica facial que vão do animalesco, ao bizarro, à clemência.

Todos os intérpretes, à excepção de Marlene, são masculinos: Yair Barelli, Lorenzo De Angelis, Andreas Merk e Luís Guerra. Muito embora a androgenia impere neste ensemble paradisíaco, a manipulação é claramente feita por Marlene perante uma postura mais submissa dos restantes intérpretes. E, não sendo óbvia a intenção de expor questões de género na peça, não deixa de ser estimulante esta imagem feminina de criadora/demiurga de um seu Paraíso.

Troncos nus com pinturas pontuais a negro que se dissolvem nos fluidos da pele, línguas pintadas de azul, luvas negras, objectos que são introduzidos na boca para emitir sons ou, simplesmente, distorcendo as expressões faciais – elementos coreográficos que complementam um movimento ora animalesco, ora mecanizado, mas que tende para a exploração corporal da estranheza e do bizarro, sempre coordenada com uma composição sonora densa e carregada, dirigida à distância por Marlene.

Partindo de uma estratégia inicial de dominação, Marlene vai sofrendo as suas próprias metamorfoses, aproximando-se dos intérpretes que manipula, interagindo corpo a corpo com estes, sendo estes no final a transportá-la enquanto esta explora outras transformações no seu próprio corpo pintado. Distingue-se ainda a impactante e sinuosa interpretação de Andreas Merk, qual homem-animal, figura divina ou satírica, rocker – tudo possível – doce fauno que eleva e sustenta a maestrina aquando do seu estado de crisálida.

Este universo polissémico do informe, da metamorfose, assim como da hibridez homem-animal não é de todo estranho em anteriores criações coreográficas de Marlene. Nascida em Cabo Verde, com formação em dança na E.S.D., Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa) e na P.A.R.T.S. (Bruxelas), Marlene tem trabalhado com Emmanuelle Huynn, Loic Touzé, Tânia Carvalho, Boris Charmatz, entre outros, e integra com Luís Guerra e Tânia Carvalho o colectivo Bomba Suicida (Lisboa).

Em 2011, co-criou a peça (M)imosa com Trajal Harell, François Chaignaud e Cecilia Bengolea , apresentada na passada edição do Festival Circular. Projecto que parte da exploração do movimento voguing em Harlem nos anos 60, em contraponto com a dança pós-moderna de Judson Church, na mesma época, em Greenwich Village, e inspirado no documentário Paris is Burning (1990). À semelhança deste movimento social voguing, praticado tradicionalmente por gays, travestis e transexuais afro-americanos e latinos, que competiam em salões de baile a imitação de ícones dos media e da moda, (M)imosa é também uma panóplia de metamorfose e hibridez.

Em Guintche (2010), apresentado na edição 2011 do Festival Materiais Diversos, em Minde, Marlene encarna uma personagem que ganha vida própria, e que parte do ritmo afro incessante, passando por uma transmutação quase em estado de transe, olhares e feições distorcidas (qual danse sauvage [2]), para uma outra persona qualquer: perdida, desolada. Em A Seriedade do Animal (2009-10), lê-se a possível dicotomia homem-animal e ainda, em Primeira Impressão (2005) Marlene explora a cadência reiterada de um movimento oscilatório muito simples, fazendo-o evoluir incessantemente por todo o corpo, uma vez mais explorando o informe, a estranheza, o animalesco, ou outras quaisquer categorias indizíveis. A propósito de Guintche, a coreógrafa terá afirmado: I may incarnate specific persona, but I guess it is this becoming radically another while remaining myself that drives me. Aqui.

Paraíso – colecção privada é um peça corporal e sonora gritante, esventrada, que imerge o espectador numa orquestra coreográfica situada algures entre o jardim das delícias de Bosch e a ilha do Fogo de Marlene Monteiro Freitas. Se isto é só parte de uma colecção, queremos mais.

[1] Bataille, “The Sacred Conspiracy” in Visions of Excess, ed. Allan Stoekl (Minneapolis: University of Minnesota Press, 1985), p. 181.

[2] Gurur Ertem faz uma alusão da “Danse sauvage” (1927) de Josephine Baker, a propósito da peça Guintche. Aqui.

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51 comentários leave one →
  1. Jorge Silva Melo permalink
    7 Out 2012 23:00

    Expliquem-me a razão, sff, de citar um autor francês (Georges Bataille) numa tradução inglesa para leitores portugueses?????? (não vislumbro o critério)

    • Rui Pina Coelho permalink
      9 Out 2012 9:33

      Estimado Jorge, mais uma vez, obrigado pela sua nota. Tem razão – faria mais sentido a epígrafe aparecer em português ou na língua original. Como saberá, no trabalho de edição e revisão, por vezes, o mais óbvio é o que escapa a leituras e leituras do mesmo texto. Contudo, também não é um erro absoluto a citação aparecer na edição consultada pelo autor. Seria preferível isso não acontecer, mas não prejudica a leitura do texto (sobretudo tratando-se da epígrafe). Quanto a critérios, eu só não percebo os seis (!) pontos de interrogação que acompanham a sua pergunta. Os seus comentários e a sua atenção aos nossos textos têm sido muito úteis como matéria de trabalho nestes seminário, Mas não compreendo os seis pontos de interrogação. Não estamos todos a remar para o mesmo lado? Já agora, aproveito para reparar que na folha de sala do espectáculo Feliz Aniversário, na citação do crítico Harold Hobson, a indicação correcta do periódico onde a crítica foi originalmente publicada deveria ser Sunday Times, 25 Maio 1958, e não Times, 1957; e que quando se cita omitindo algumas frases, como ali acontece, as supressões deveriam vir assinaladas com reticências entre parentesis (…). Isto de acordo com John Elsom, Post-War British Theatre Criticism (p.85) e no sítio http://www.haroldpinter.org/plays/plays_bdayparty.shtml

    • 9 Out 2012 10:19

      Caro Jorge Silva Melo,

      antes de mais, agradeço o seu comentário que não deixa de ser pertinente. Lamento o atraso desta resposta que se deveu, somente, a condicionantes externas.
      A razão pela qual Bataille foi citado neste texto a partir de uma tradução inglesa foi, unicamente, de ordem prática: era a fonte de eu que dispunha. Não tive acesso ao texto original no momento da produção do artigo, nem de uma tradução para português da qual tivesse disponibilidade para averiguar a qualidade.
      Porém, não posso deixar de concordar que, idealmente, a citação de um autor deve ser realizada na sua língua original, ou na língua em que está a ser redigido o artigo – trata-se de uma regra/prática académica.

      Cordialmente,
      Alexandra Balona

  2. Miguel Lobo Antunes permalink
    8 Out 2012 22:37

    o que é uma “composição musical intensa”?
    o que quer dizer o último parágrafo? (podia multiplicar as perguntas; tive um professor nolid
    Fala-se de tanta coisa neste texto, mas pouco do espectáculo. Pouco fiquei a saber dele (tive um profesor no liceu que ensinava que ideias claras se exprimem de uma forma clara.Sempre achei que ele tinha razão. e que infelizmente eu não conseguia muitas vezes, demasiadas vezes, ter ideias claras)
    E é necessário evidenciar erudição?
    Insito na clareza das ideias e na simplicidade da escrita: não esquecer nunca que quem lê a crítica tem que perceber tudo ou quase tudo o que está dito. E são pessoas interesadas,mas sem conhecimentos especializados.
    Mais uma nota: seria bom que comentasem os comentários. Ou parece que estamos a falr com surdos. (este éo primiero comentário que faço, mas tenho lido outros e não li respostas. Admito que o erro seja meu e que esteja a ser injusto.
    A observação do Jorge SM exige um esclarecimento

    • Miguel Lobo Antunes permalink
      8 Out 2012 22:38

      desculpam o monte de gralhas. Falta de prática

    • 9 Out 2012 10:28

      Caro Miguel Lobo Antunes,

      Agradeço o seu comentário, até porque me parece importante existirem leitores atentos a este blog.
      A propósito das respostas ao comentários, eu julgo que todos os textos comentados tiveram a devida resposta. Talvez não com a rapidez desejada mas, no meu caso, isso deveu-se somente a condicionantes externas à minha vontade.
      A propósito das suas questões:
      1. “sobre a composição musical intensa”:
      Nesta peça, a música pareceu-me bastante relevante e, como referi, Marlene dá as indicações de movimento aos restantes performers, mas é também quem assume a postura de maestrina, dando indicações de controle de música através de gestos: paragem ou mudança, aumento ou redução do volume, etc. A composição musical é da autoria de “Nosfell”, como se lê na ficha técnica. A meu ver, a música foi algo que marcou bastante a peça, mas como tinha escassa informação sobre esta produção de Nosfell (no seu site online ainda não existe informação actualizada sobre este projecto), e não consegui obter da parte da produção do espectáculo informação atempada que me permitisse incluir no texto, reconheço que me limitei ao adjectivo “intensa”. Não foi de todo esclarecedor, e estou inteiramente de acordo consigo. Digamos que preferi fazer uma menção discreta para não incorrer em erro, mas reconheço que gostaria de ter desenvolvido muito mais este tópico.
      2. sobre “o último parágrafo”:
      O último parágrafo é uma tentativa de resumo da impressão do espectáculo: “peça corporal e sonora gritante, esventrada” – há uma exploração corporal em termos de movimento bastante visceral (daí o “esventrada”), com olhos revirados, línguas azuis, bocas abertas, posturas que lembram movimentos de cópula, e com referências animalescas difíceis de classificar. É explorada a estranheza, o informe, sem permitir uma leitura óbvia da peça. Uma vez mais faço referência ao “sonora gritante” porque a música faz com o movimento um todo.
      “… orquestra coreográfica entre o jardim das delícias de (Hieronymus) Bosch e a ilha do Fogo de Marlene…”: esta parte final do parágrafo deixa em aberto para o leitor o universo onírico e bizarro que a própria peça provoca, a meu ver, ao espectador. A pintura de Bosch “O Jardim das Delícias Terrenas” é uma referência icónica da história da pintura sobre o “Paraíso” e a menção à ilha do Fogo de Marlene deve-se ao facto da coreógrafa ter nascido em Cabo Verde e no seu trabalho serem notórias algumas referências a essa origem, sobretudo em termos de movimento. Porquê “ilha do Fogo” e não a ilha do Sal, ou outra qualquer do arquipélago: ora, aqui a intenção foi também estimular a imaginação do leitor – ilha do Fogo porque a peça pode ter leituras eróticas, quentes, viscerais…
      O parágrafo termina em tom de elogio à peça: “Se isto é só parte de uma colecção, queremos mais”. E porquê? Porque o título da peça é “Paraíso – colecção privada” e eu serei, de certo, uma atenta espectadora aos próximos trabalhos da coreógrafa, se a sua “colecção privada” não ficar por aqui…
      3. “sobre a necessidade de evidenciar erudição, e a simplicidade da escrita”:
      Não sei bem ao que se refere quando fala em erudição neste caso, mas tentarei responder à interpretação que faço. Se se refere à referência a Bataille, esta não foi feita para “evidenciar erudição”. Quando vejo uma peça de dança, de teatro, música, enfim, qualquer manifestação artística, é quase imediato fazer leituras do que estou a “receber”, e cruzar essa informação com outras leituras, outras experiências, sejam estas de livros, obras, referências, etc. Isto pode levar-nos para uma discussão sobre a função do crítico, mas gosto de acreditar que o crítico pode “atrever-se” a colocar-se em terreno de risco e não se limitar a comentar descritivamente o que vê, ou a produzir um texto informativo para o leitor. Isto pode levar-nos para a sua segunda nota sobre a “simplicidade”: apesar de me parecer válido trazer outras “leituras” (pareçam eruditas ou não) para um texto crítico, reconheço que conseguir fazê-lo com simplicidade e clareza de escrita sobre o objecto em análise seria um princípio base a respeitar num texto crítico. Será um objectivo para o qual pretendo continuar trabalhar.

      Uma vez mais, grata pelo seu comentário.
      Alexandra

      • Miguel Lobo Antunes permalink
        9 Out 2012 23:19

        Cara Alexandra

        Agradeço-lhe a sua resposta, tão correcta e delicada. E tanto mais lhe agradeço quanto o meu comentário, por inabilidades várias, estava não só mal escrito, como pouco inteligível.

        A sua resposta é muito esclaredora e fez-me pensar melhor tanto na sua crítica como no meu comentário.

        Gostava de voltar a alguns pontos do comentário que fiz.

        Com a sua explicação, percebi um pouco melhor o que queria dizer no último parágrafo da sua crítica. Porventura quis dizer coisas demais em poucas palavras..

        Sobre a questão da simplicidade e acessibilidade da crítica, julgo que há uma zona em que estamos de acordo e outra em que não estamos (admito que quem tem razão é a Alexandra)..

        Começo por dizer que sou um completo ignorante sobre teoria da crítica. Leio um texto crítico como um leitor “normal”, isto é, como o leitor mediano, com uma mediana cultura, mas um genuíno interese e entusiasmo.

        Ora, o que é que eu espero quando leio uma crítica? De uma maneira resumida, procuro três coisas.. A primeira é perceber tudo o que o crítico escreve. A segunda, é ficar com uma ideia – sucinta, mas que vá ao osso – sobre o espectáculo e, se possível, sobre como ele se situa na obra do autor. A terceira é saber o que o crítico pensa sobre o espectáculo e sobre os seus intérpretes, o que pode incluir uma certa interpretação ou leitura (eu poderei ter outra, mas é estimulante confrontá-la com a que o meu interlocutor, que admiro e que sei saber mais do que, tem sobre o mesmo espectáculo.

        Quando me referi à “erudição” (e a palavra não é a adequada, erro meu) o que queria dizer é que não estou à espera que o crítico venha fazer várias citações ou convocações de autores e obras mais ou menos célebres para explicar o que pensa. O crítico não precisa de uma caução que legitime o que escreve. Precisa apenas de defender com bons argumentos seus.

        Também não tem, do meu ponto de vista, de trazer para o seu texto as referências culturais pessoais que o espectáculo lhe recordou. Como leitor não estou interessado naquilo que o espectáculo fez vibrar na memória do crítico, salvo se for importante para eu perceber o que ele pensa sobre o epectáculo. Não estou interessado nos estados de alma do crítico, estou interessado nos seus argumentos.

        Uma palavra final. Estou, com outros, na origem deste projecto. Esta minha episódica intervenção tem apenas o objectivo de, talvez infundadamente, contribuir positivamente para ele. Gostava de ajudar. Mas admito que não o saiba fazer

        Muito obrigado, se teve a paciência de me ler. Para mim, foi um prazer trocar estas impressões consigo

        miguel la

        PS: utilizei sempre o substantivo crítico, mas devia ter usado no feminino. Balancei entre uma conversa consigo e uma argumentação impessoal. Fiz mal, poruqe uma converesa não pode ser impessoal.

    • Rui Pina Coelho permalink
      9 Out 2012 13:21

      Estimado Miguel Lobo Antunes: também agradeço o seu comentário. Em relação ao conteúdo, julgo que a Alexandra Balona já terá respondido convenientemente. E, se assim não foi, o diálogo continua aberto para mais discussões sobre os textos que aqui vamos publicando e – havemos de lá chegar – sobre os espectáculos em si. Mas não queria, também eu, deixar de comentar o que diz sobre os nossos comentários aos comentários. Temos recebidos muitos, aqui e noutras plataformas, e vamos respondendo e conversando com todos aqueles que querem conversar. Mas estamos a fazê-lo – e vamos continuar a fazê-lo – no ritmo que entendemos adequado. Não estamos nem mudos nem distraídos – lemos tudo com muita atenção e usamos o que achamos que devemos usar nas nossas discussões no âmbito deste seminário. Quanto à observação do JSM, embora venha acompanhada por seis pontos de interrogação, começa com um imperativo muito pouco dialogante. Não creio que o seu autor estivesse à espera de um diálogo – mas posso, espero, estar enganado. Seja como for, a observação em causa já foi alvo de respostas. Estamos aqui para dialogar, mas não espere que alimentemos derivações menos relevantes para o trabalho que aqui estamos a desenvolver.

      com os melhores cumprimentos,
      Rui

      • Miguel Lobo Antunes permalink
        9 Out 2012 22:19

        Caro Rui

        Não tenho que fazer a defesa do Jorge (meu grande amigo, como sabe, desde o liceu e de quem sou grande admirador e devedor). Mas por amor de deus, o argumento dos 6 pontos de exclamação não tem qualquer elevância. A discussão e o debate não se compadecem, em absoluto, com essas “sensibilidades”. Como não faz qualquer sentido contra-atacar assinalando supostos erros numa folha de sala de um espectáculo dos AU. Não é bonito, não é deontológico, não ébom exemplo para as foirmandas. O Jorge fez uma crítica fundada e reconhecidamente fundada. Reconhecer que ele teve razão é simples. E era isso que, do meu ponto de vista, devia ter sido feito, como, de resto, fez, e muito bem, a Alexandra

  3. 11 Out 2012 2:51

    Julgo perceber, e não me choca, o recurso ao Bataille: acho que uma das ideias centrais da crítica é precisamente fazer a ponte entre o espectáculo e essa referência. Mas a combinação (também ela uma mistura heterogénea de corpo e cabeça?) não é plenamente conseguida, parece-me: precisaria ou de mais tempo (um ensaio) ou de menos (se a referência fosse mais concisa). Quanto ao excesso de erudição, ele é para mim sobretudo evidente ao nível da linguagem utilizada: parece-me por exemplo desnecessário usar duas vezes a palavra “aporético”. Era indispensável? Em caso afirmativo, ajudaria se houvesse uma breve paráfrase do que significa, de modo a não afastar leitoras cultas mas não necessariamente à vontade com o jargão filosófico…

  4. Ana Bigotte Vieira permalink
    11 Out 2012 12:47

    Caro Miguel Lobo Antunes,

    Tenho, na medida do possível, acompanhado estas discussões e muitas vezes não tenho conseguido dizer nada, ficando depois triste e irritada por isso. São as razões do meu silêncio o que, caso consiga, aqui gostava de abordar – e faço-o devido à mudança de tom entre a primeira interpelação à Alexandra e a segunda.

    Na minha opinião, a primeira “segue” o tom exaltado do comentário de JSM e a segunda “segue” o tom paciente da resposta da Alexandra. Esta contaminação é natural em qualquer acto de comunicação mas na comunicação digital ela assume outras proporções. Um contributo para este projecto poderia passar, parece-me, também por uma reflexão sobre o media em que estamos a escrever (o blog; as condições e os ritmos do trabalho na economia digital) e as condições e o enquadramento da nossa escrita (o seminário de formação).

    O que despoletou esta reflexão foi, devo dize-lo, a exigência de resposta imediata: a Alexandra tinha de responder logo! O trabalho da Alexandra (que é uma “formanda”) consiste em escrever, seguir o blog e responder aos comentários. E tudo isto imediatamente!
    Ora acontece que a Alexandra estava grávida da Júlia (que nasceu ontem!) e este comentário fez virem-me a mim, que sou sua colega, lágrimas aos olhos. Sei que este comentário pode parecer patético mas acho que é necessário ter em conta as emoções que o digital provoca, elas agem (cansando-nos, deprimindo-nos, alegrando-nos, dando-nos alento, motivando-nos…), por isso o faço. Pensei nela a enervar-se e a ficar triste e temi pela criança. Não estou com isto, de todo, a argumentar que as grávidas não devem trabalhar ou fazer o que têm vontade de fazer, e confesso que fiquei muito contente com a sua resposta calma e ainda mais contente fiquei com o facto dessa resposta ter motivado uma mudança de tom. Foi essa mudança de tom, como já disse, que me deu vontade de tentar, também a mim, contribuir para a discussão.

    Resumindo: este episódio levou-me a pensar sobre trabalho e condições de produção e várias perguntas me vieram à cabeça. Faço notar que o que aqui coloco são questões e não – de todo – respostas acabadas.

    – Numa altura em que um importante jornal português despede quase 50 jornalistas, em que o espaço da crítica profissional está a desaparecer nos jornais, e em que mais e mais se recorre ao trabalho voluntário de estagiários e de estudantes, até que ponto é que um projecto destes não está a passar para as mãos dos formandos algo que antes era feito por profissionais? Como fazer com que assim não seja?

    – Que se pode exigir de um projecto destes? Tendo em conta que este é um projecto de “formação” é de supor que os participantes têm igualmente de trabalhar para viver. Qual a carga horária que a manutenção de deste blog pressupõe? Como pode ser contabilizado o tempo que leva a responder a cerca de 20 e-mails por dia, ler textos de apoio, ver espectáculos, e ainda seguir as polémicas do blog, polémicas estas, como vimos, altamente marcadas por uma carga afectiva também ela desgastante? Quanto tempo será necessário para adquirir as ferramentas requeridas para a analise da pluralidade das propostas que se podem agrupar sob a designação “artes performativas”?

    – Qual a diferença entre um projecto deste género e um blog mais “aberto”, um blog para onde um grupo de pessoas pode escrever num registo mais ou menos imediato, mais ou menos jocoso, mais ou menos livre? Que desafios nos coloca o formato blog e a economia digital?

    Se coloco estas perguntas é, como já disse, para contribuir para a discussão e para a tentar situar na economia em que ela decorre. Para o que gostava de, por último, partilhar o texto que primeiro me fez olhar para estas questões, o artigo “Free Labor: Producing Culture for the Digital Economy” da Tiziana Terranova, disponível on-line

    http://www.electronicbookreview.com/thread/technocapitalism/voluntary

    Espero verdadeiramente que o meu tom não seja mal entendido. Perdoem-me se demorar a responder.

    Ana

  5. Ana Bigotte Vieira permalink
    11 Out 2012 14:52

    * onde se lê “com o facto dessa resposta ter motivado” leia-se “com o facto de essa resposta ter motivado”

  6. Miguel Castro Caldas permalink
    11 Out 2012 15:22

    Tenho vindo a seguir este blog, os textos que são produzidos e os comentários que lhes são feitos. Por um lado fico muito contente pela sua existência e por outro lado fico triste e desiludido. Passo a explicar: contente porque me parece que a crítica está a precisar de resposta, de contra-crítica, de tão pobre e redutora que se tem vindo a tornar ao longo dos últimos tempos. E nada melhor que um projecto como estes, com as publicações abertas, em formato blog, com comentários também abertos. Estou desiludido porque rapidamente atingiu um tom professoral. Um tom que oscila entre o autorizador e o desautorizador. Ora bolas. Aonde foi isto cair!Tudo estragado! Mas talvez estragado logo pela natureza do projecto, composto precisamente de muito didactismo. Não bastaria um grupo de pessoas querer abrir um blog de crítica e começar a fazê-lo, sem professores? Mas então eu pergunto: e teria o mesmo impacto? Teríamos o Jorge Silva Melo a comentar? O Miguel Lobo Antunes, se fosse apenas isso? (e era tão bom que fosse apenas isso, e que tivesse o mesmo impacto). Mas não saímos disto. As autoras dos textos (e ainda por cima todas mulheres) são verdes moçoilas em formação que precisam levar reguadas. E os ilustres comentadores (chiça, todos homens?) são velhos professores que parece que estão a corrigir testes. Não é possível melhor do que isto? As respostas não deviam ser tão boas como as perguntas? Ora bolas.

    • Miguel Castro Caldas permalink
      11 Out 2012 17:22

      Errata: retirar o verbo ser às frases que têm como sujeito as «autoras dos textos» e os «ilustres comentadores». De súbito pareceu-me que esse verbo pode impedir a leitura irónica que as ditas frases, obviamente devem ter. É mesmo no fim do texto.

    • Liliana Coutinho permalink
      12 Out 2012 1:35

      Miguel, onde é que viste a palavra “professores” no blogue e o que é que te leva a afirmar a existência de tal didactismo no nosso grupo de trabalho? Existem dois orientadores, que fazem perguntas, testam posições, pedem clarificações, trabalham a partir do que lhes chega, moderam discussões, gerem crises e transmitem as boas notícias, coordenam o calendário, disponibilizam as ferramentas que têm e convidam a que quem está a fazer a formação traga as suas. E talvez me tenha esquecido de alguma função, mas ainda estamos no início… Tudo isto sem querer formatar ninguém e com os riscos – e as vantagens – que implica fazê-lo com a exposição pública que caracteriza este projecto de formação.
      um abraço.

  7. Sílvia Pinto Coelho permalink
    11 Out 2012 17:04

    Olá a todos,
    Concordo com a Ana em relação à necessidade de se ir fazendo uma reflexão sobre um novo meio, neste caso, o blog (mas que eu aqui vou misturar um pouco com o facebook, por achar que têm semelhanças relevantes).
    A evolução da abordagem aos blogs e ao FB que tenho vindo a observar leva-me a pensar que estes meios, pela facilidade de publicação e respostas rápidas sem estar frente a frente, olhos nos olhos com o interlocutor, permitem uma maior violência emotiva na formulação das ideias do que aquela que observamos nos jornais, ou num café que tomamos com um amigo (veja-se a quantidade de amor que circula em corações no FB… nunca nos dirigimos assim às nossas pessoas preferidas em presença).
    Quando abri actividade no FB, em 2008, a maioria das pessoas levavam-se muito a sério e entravam em discussões inacreditáveis com picos emocionais que chegavam ao insulto e a tomadas de partido uns contra os outros, desamigavam-se e amigavam-se entre desconhecidos de uma forma violentíssima. Comecei a perceber que não era verdadeiramente possível ter conversas sérias nestes meios em que a emotividade vai tão directamente para a linguagem escrita. E comecei a avisar todos os meus amigos que se levavam “demasiado a sério” para se absterem de o fazer no meu mural de FB porque entendo que no “reino das bocas para o ar”, quando se tenta levar as coisas à letra elas ficam deslocadas e criam mal-estares desnecessários. Tudo o que é comentário pessoal pode vir por email, não precisa de ser público, para não se confundir com fanfarronice. Tudo o que é sério pode vir para artigo de fundo, ou para uma conversa ao vivo entre grupos de pessoas. Agora o blog, parece ser um misto entre o FB e o artigo de fundo. Se é artigo de fundo, precisa de um tempo que o blog tende a acelerar para conversa de chat e confunde-se um bocado uma coisa com a outra. Eu entendo que um blog pode ser um meio de bocas, e as bocas são violentas. Não se limitam a dizer qualquer coisa, implicam provocar sentimentos e reacções, mas podem ser muito positivas para despoletar pensamentos que ainda não sabemos que temos. Ou seja, ir no caminho do “brainstorming” colectivo. Pensar em conjunto é qualquer coisa que eu desejo e penso que o blog é uma ferramenta possível. Mas é violenta, não dá para levar a peito, é preciso ter distância para este meio. Outra forma de estar no blog é privilegiar o texto sério e tirar-lhe as reacções a quente, também é válida, mais parecida com o jornal talvez, mas menos participada e menos emotiva. Aí podemos ver os erros de português com mais atenção. Nas bocas não, não acho que seja relevante. Mandar bocas é falar com os pés, com o coração e com os emoticons, não dá para levar muito a sério, é só movimento de pensamento partilhado com imensos “bugs” de disputa de protagonismo, tiques de linguagem, palavras inventadas, etc.
    Eu gosto de mandar bocas, acho que é uma prática que pode ser aprimorada e modelada com alguma “arte”. Para o bem e para o mal, trazer um bocado da polissemia das palavras em contexto. Mas tenho vindo a atrasar o impulso da boca, porque trabalhar a boca também a melhora. A que me ocorre agora é a boca doce do pudim.
    Saudades!!
    Sílvia

  8. Sílvia Pinto Coelho permalink
    11 Out 2012 17:09

    A esta velocidade todos damos mais erros de português. Quis dizer: “a maioria das pessoas levava-se muito a sério e entrava….”

  9. Miguel Lobo Antunes permalink
    12 Out 2012 0:07

    Fico muito contente por esta discussão, conversa ou debate. Não partilho da desilusão do Miguel CC. O debate é sempre útil. Insisto que me interessam os argumentos, mais do que o tom. Peço desculpa se o meu tom foi sentido como professoral ou irritado (Miguel, achas msmo que eu me armei em prof? conhecendo-me acreditas nisso?) . Não,não sou professor, nem me acho competente para o ser. Mas posso exprimir a minha opinião da maneira que sei (é verdade que não gostei do meu primeiro comentário e do seu tom; retifiquei no segundo).

    Não fazia ideia que a Alexandra esperava um bébé quando escreveu a sua crítica e quando eu fiz o comentário. Sem a conhecer, alegro-me que o bébé tenha nascido e espero que estejam os dois (as duas?) bem e felizes. É claro que nunca a quis magoar. Adivinho que só volte aqui depois de um tempo. Agora o mais importante que tudo é o bébé.

    Porventura prerciptei-me quando reclamei resposta aos comentários, Já tinha lido outros comentários sem resposta e acho que o debate é essencial neste blogue. Quando disse o que disse, tinha a memória de comentários sem resposta. Mas admito que devia estar enganado e não fui, como devia ter sio, cuidadoso por não ter verificado se já havia resposta a comentários anteriores. Erro crasso, que não repetirei.

    Insisto; acho o debate enriquecedor para o projecto. Não acho, como o Rui, que o ritmo das respostas deva ser o que os que escrevem acham adequado em seu critério. A vivacidade do debate parece-me enriquecedora. De outra forma desencoraja-se o comentário. Se é isso que querem, tenho pena.

    Não concordo com o Francisco quando desvaloriza a citação do Bataille em inglês. Mas a verdade é que ele não justifica a afirmação. (é engraçado discutir publicamente com amigos como o Francisco e o Miguel). Estes pormenores são para mim fundamentais. Há coisas que não se podem fazer e devemos ser intransigentes nesses princípios.

    Partilho das observações da Ana sobre a natureza do meio que estamos a utiilizar e das suas consequências, sobretudo na forma como dizemos. Mas tendo a desvalorizar para, e lá volto eu, valorizar a argumentação.

    Tomei nota do trabalho imenso que a Ana refere. Talvez devam colectivamente pensar nisso e encontrarem soluções.

    Ocorre-me que provavelmente o desconforto de alguns com o que eu disse se deva a uma diferença de idades e de formações. Mas vocês que, como se costuma dizer, têm idade para ser meus filhos, não recusem o que os velhos têm para dizer. Por mim, aprendo imenso com os meus filhos e com a vossa geração.

    Calo-me. Passámos a discutir não texto crítico, mas outras coisas ao lado. E é o texto crítico que interessa discutir aqui, acho eu.

    Abraços a quem conheço e a quem não conheço.
    Miguel
    .

    • Liliana Coutinho permalink
      12 Out 2012 1:50

      Miguel, um breve comentário: claro que não queremos desencorajar o debate e ouvimos o que todos têm a dizer, independentemente da idade ou de outra caracteristica qualquer. Deixo esta resposta aqui não só para si, mas para quem se encontrar com esta discussão e possa também ter dúvidas desta natureza. A Ana Bigote Vieira deixou aqui algumas perguntas que poderão ajudar a tomar consciência das razões de um ritmo de resposta que pode por vezes ser mais lento (e o ritmo de respostas tem sido variado). Um dos pontos que ela toca refere-se à intensidade do trabalho que não é público. Neste momento, o tempo dispendido neste trabalho é muito importante para que o que se vai tornando público possa evoluir. Os vossos comentários também são importantes para este processo.
      Acrescento ainda que nenhum dos elementos do “Mais Crítica” o é a tempo inteiro, usamos o tempo necessário para ponderar acerca das respostas e esperamos compreensão pelo facto de não estarmos sempre ligados ao blogue.

  10. 12 Out 2012 1:04

    Miguel, não desvalorizei o facto de a epígrafe do Bataille estar em inglês, achei que isso já estava resolvido e todos concordavam que devia estar em francês ou português (embora seja um inglês tão simples que não causa problemas de acesso; é mais uma questão metodológica, como usar itálico para os títulos). Referia-me ao uso do Bataille no próprio corpo da crítica – acho que reflecte uma ambição interessante mas que precisaria de maior desenvolvimento ou, em alternativa, concisão.
    Quanto às conversas sobre o tom, concordo que não é o mais importante. Acho graça a Sílvia chegar a uma reflexão dos blogs depois da experiência do facebook (que veio certamente abanar as coisas), mas isto para mim soa-me tudo a 2003… Sim, os ânimos têm tendência a exaltar-se mais por escrito e é preciso ter cuidado; sim, é violento receber um comentário mais brusco, que chega sem ser anunciado e nos entra pelo ecrã adentro (em alturas em que podemos estar particularmente frágeis). Mas o importante é não parar a discussão – sobre as críticas, claro, porque o meta-bloguismo já está mais que visto.
    Já agora, uma sugestão: acho que o debate ganhava se fosse um pouco menos formal, e uma das coisas que me parece emperrá-lo um pouco é os responsáveis do blog ou as autoras dos posts agradecerem quase todos os comentários. Parece-me evidente que a conversa começa a fluir quando se perde menos tempo com essas cerimónias.

    • Liliana Coutinho permalink
      12 Out 2012 2:04

      Francisco, referindo-me ao teu outro comentário, tens razão em relação à necessidade de clarificar conceitos mas, uma provocação: o facto de estarmos a ler um blogue não permitirá perder meio minuto na internet a ler a definição de, por exemplo, “aporético”? Quando se começam a perder as palavras o mundo começa a ficar tão mais pequeno…
      Guardamos a sugestao (ai! estava quase, quase a agradecer-te o facto de a teres feito!). As cerimónias são como o “bom dia” do começo da manhã… Em certas alturas são necessárias, noutras alturas perdem o sentido.

  11. 12 Out 2012 2:29

    Liliana, acho que meio minuto chega para esclarecer “acéfala” ou “hibridez”, mas não “aporético”… Eu ponho a hipótese de a palavra ser indispensável, mas nesse caso acho que era possível, no próprio texto e sem notas de rodapé, encaminhar os não-iniciados para o sentido preciso em que é usada (aqui o dicionário não ajuda). Acho que o texto já faz isso com “demiurgo”: da primeira vez que surge, é imediatamente seguido por uma paráfrase, “criador do seu paraíso imaginário”…

  12. Miguel Castro Caldas permalink
    12 Out 2012 12:48

    Miguel, Liliana, sim, posso ter exagerado um pouco no meu comentário, aproveitei-me da ilustreza dos nomes para exemplificar o tom professoral, mas na verdade queria dizer que esse tom está presente em modos gerais. Mas não desisto de considerar que o tom, o modo, a maneira de falar, não é uma questão lateral, porque não consigo separar forma e conteúdo. Acho precisamente que isso é que é «a coisa». Por outro lado, Liliana, se não podemos dizer que haja «professores» neste vosso projecto (e dou-te toda a razão, mas não cheguei a dizer isso), podemos, sim, dizer, e acho que concordamos todos, que se trata de um projecto de formação. E não tenho nada contra a formação, era só o que faltava. Mas pensando agora um bocadinho, vem-me à cabeça que toda esta afluência de participação neste blog, vem se calhar de uma falta, não de espaços de formação, mas de espaços públicos de discussão. E o facto de este ser de formação está talvez a determinar o tal tom professoral de alguns intervenientes (aliás, às vezes parece que estão a sacrificar o cordeiro aos deuses). Se calhar, em vez da multiplicação de projectos de formação disto e daquilo, estamos a precisar de projectos de criação de espaços públicos de discussão sem mais mediadores, e de exigirmos aos outros e a nós próprios, durante as conversas e as discussões, a responsabilidade das palavras ditas, todos no mesmo plano, sem deuses nem chefes nem neófitos nem rituais de iniciação. E acho que devemos exigir de um blog (e mesmo do facebook, eu faço isso) o mesmo grau de atenção e seriedade que exigimos a um jornal. Até porque também é a sério que se brinca quando se brinca Mas claro, sabendo perceber o que é acessório e o que não é. Um erro ortográfico pode ser acessório num blog (não há revisores, num jornal há), mas o tom e a maneira como os problemas são colocados não é nada acessório. Aliás, eu não dou muito crédito aos jornais, os blogs e o facebook são muito mais de fiar.

  13. 12 Out 2012 13:24

    Também tenho seguido com atenção o blog e não entendo de maneira nenhuma que seja altura para desanimar, muito pelo contrário (mas também não me parece que fosse essa a intenção do Miguel, acho que ele estava apenas a exprimir desânimo). Penso também que a discussão que surgiu no facebook do Franscisco Frazão, foi uma consequência, ainda que indirecta, do desenvolvimento deste blog . E que revela que a iniciativa Mais Critica está a permitir a discussão entre criadores, agentes (programadores, directores), críticos e público. Parabéns por isso ao Rui e à Liliana, força!

  14. Liliana Coutinho permalink
    12 Out 2012 14:24

    Miguel C. Caldas: Não há problema em relação ao exagero, se é que foi exagero. Acima de tudo, acho óptimo teres tocado no assunto. Eu dei-lhe seguimento para explicar a natureza desta formação (e penso que a conversa sobre o que é justo hoje em dia entender-se quando se usa a palavra “educação”, ou “formação” é algo urgente a ter lugar, mas talvez não aqui). Concordo com a generalidade do que dizes – embora, também por ser uma formação, estaremos sempre atentos aos erros de português, mesmo que por vezes nos escape algo. Penso que o tom professoral, quando existiu, foi fruto de certas circunstâncias e não constituem a marca identitária deste blogue. Concordo contigo quando relembras a responsabilidade pelas palavras ditas e quando sublinhas a importância de se ter em consideração o tom das palavras, que é sempre altamente subjectivo, tanto na sua produção como na sua recepção, mas é precisamente entre sujeitos completos, nos quais tanto a emoção como a razão estão presentes, que toda e qualquer conversa pode ter lugar. Concordo também quando constatas acerca da necessidade de criação de espaços públicos de discussão. Este é um deles. Os mediadores e promotores da formação intervêm mas a intervenção quer-se horizontal, não esquecendo que em tudo o que é espaço público existem intervenientes que ocupam posições sociais diferentes. Arrisco-me a afirmar que o problema aqui não são os deuses, nem os chefes ou os iniciados. O que é necessário é que os que não são “deuses”, “chefes” ou “iniciados” comecem também a falar, entrem na conversa quando se sentem implicados por ela, mesmo que no início não saibam bem como o fazer e até possam “cometer erros”, assumindo desta forma a legitimidade que têm para fazer uso da palavra e, com a consciência do mundo em que vivem, que não é só o mundo do teatro, agir. E aí deixaremos de falar de deuses, chefes ou iniciados, mas sim de pessoas com experiências e conhecimentos diferentes, que participam numa mesma comunidade que penso que só funcionará bem se houver respeito mútuo, nos ouvirmos uns aos outros de forma empática e se cada um for cumprindo e realizando da forma que entender ser justa as várias posições que vai tomando. Numa sociedade extremamente hierarquizada como a nossa, onde ainda se nutre uma desconfiança generalizada em relação ao outro e em relação às instituições, e com um passado de vida política que deixou o medo entranhado nos ossos da grande maioria da população, isto é algo que não acontece nem por decreto e nem de imediato. Que a criação deste espaço de discussão pública aconteça também no seio de um programa de formação, parece-me ser importante e pertinente.

  15. 12 Out 2012 20:58

    Olá a todos,
    fico muito contente por finalmente estarmos a discutir ideias.

    Do que foi dito: concordo com o Miguel que “estamos a precisar de projectos de criação de espaços públicos de discussão sem mais mediadores, e de exigirmos aos outros e a nós próprios, durante as conversas e as discussões, a responsabilidade das palavras ditas, todos no mesmo plano, sem deuses nem chefes nem neófitos nem rituais de iniciação.” Mais do que a questão da formação – sinto mais falta de “pensamento crítico” do que falta de “crítica” e isso não se forma, treina-se – o que me interessou neste projecto foi a questão da discussão, uma discussão em grupo e não num blog pessoal ou por posts no facebook. Mais do que a confirmação da sabedoria dos especialistas ou de uma atitude de autor interessa-me uma pluralidade de olhares e de vozes articuladas. Estou obviamente a reagir ao mainstream dos media e à indústria dos experts, sejam eles de que área forem.

    Concordo também com o que a Sílvia coloca na mesa ao levar mais fundo o pensamento sobre a escrita para blog e a escrita para facebook. A Sílvia fala do uso da “boca”: “Mandar bocas é falar com os pés, com o coração e com os emoticons, não dá para levar muito a sério, é só movimento de pensamento partilhado com imensos “bugs” de disputa de protagonismo, tiques de linguagem, palavras inventadas, etc.” Frase excelente!
    Pensar a “boca” parece-me muito bem. Apenas não me precipitaria a dizer o que o facebook ou os blogs “são” porque acho que uma característica destes meios é estarem sempre a mudar. E nós contribuímos para essa mudança. O facebook de 2008 não é o mesmo de 20012 e um meio relaciona-se com o outro. Muitos dos textos dos blogs são divulgados e comentados no facebook e por aí fora.

    Como é difícil a conversa com comentários que abordam muitos assuntos, paro por aqui e já continuo noutro comentário. Até já!

  16. 12 Out 2012 22:22

    Continuando.

    Do que não foi dito: interessava-me voltar à questão do trabalho (sobretudo o trabalho na àrea da cultura e do conhecimento, aquilo a que se chama “trabalho imaterial”) na era digital porque acho que longe de ser lateral é uma questão central. Sem ser de propósito, acredito, os moldes em que este simpático seminário está organizado concentram muitas das questões delicadas que marcam a precarização da economia do trabalho imaterial (nas artes como no jornalismo e na ciência). Confesso que não tinha pensado nisso antes de começar e que foi já com o Seminário a decorrer que estas questões me apareceram. Voltemos então ao meu 1º comentário, desenvolvendo mais a fundo os três blocos de questões:

    1 – Até que ponto é que um projecto destes não está a passar para as mãos dos formandos algo que antes era feito por profissionais, contribuindo assim para a precarização do trabalho na àrea? Poder-se-ia anualmente fazer uma edição do seminário de formação Mais Crítica e assim havia sempre crítica. Não é um mecanismo deste género o que rege os estágios profissionais, por ex., na Administração Pública? Integrado num programa de formação (muitas vezes universitário), ano após ano um novo estagiário faz o trabalho de um funcionário. Resta dizer que há mecanismos de protecção para quem tem o estatuto de trabalhador (sindicatos, leis, formas de protesto concertado), para o “estagiário” ou o “formando” não. O seu estatuto ambíguo entre o estudante e o trabalhador deixam-no completamente desprotegido. Pior: deixam-no entregue aos seus próprios ritmos de exploração pessoal, sempre em nome de um futuro trabalho decente ou da valorização profissional adinfinitum. Não é por acaso que o boletim do grupo inglês “precarious workers brigade” se chama “The Carrot”: é em nome da promessa da cenoura que o burro avança. Só que não há cenoura.

    Se levanto novamente esta questão não é para atacar este projecto no qual também me vejo metida, mas para ajudar a pensar as condições em que cada vez mais se trabalha começando por lhes devolver o estatuto de trabalho. Hiper formados (ou deformados, depende do ponto de vista) pelas licenciaturas, mestrados e doutoramentos não me parece que a formação seja aqui realmente uma questão, antes pelo contrário. A questão é justamente – e o Miguel Castro Caldas abordou este assunto – uma questão de posições: que suportes dão legitimidade e quais não dão, quem pode falar e ser ouvido, a partir de onde, falando como. Concordo completamente com o Francisco em que “o debate ganhava se fosse um pouco menos formal”, coisa que é complicado quando há que manter uma suposta “imensa sobriedade”, whatever that means.

    2 – A questão da intensidade e da natureza do trabalho na economia digital penso ter ficado mais ou menos clara entre o 1º comentário e este. Foi aliás isso que motivou toda a discussão. Na minha opinião, uma reflexão sobre esse assunto poderia ser uma das coisas de mais valor que este projecto poderia deixar ao futuro meio da crítica (e, claro, das pessoas sujeitas a este tipo de economia em geral). Relembro que na última página do Público de ontem a notícia relativa ao despedimento de 48 trabalhadores acabava justamente com a promessa de uma grande aposta no digital. Pensar as condições de trabalho na economia do digital torna-se cada vez mais urgente.

    3 – Qual a diferença entre um projecto deste género e um blog mais “aberto”, para onde um grupo de pessoas pode escrever num registo mais ou menos imediato, mais ou menos livre? E entre um projecto destes e a crítica que aparece nos jornais? E a relação entre um projecto deste género e esta última? E qual a relação entre as condições de trabalho do actor que monta o seu projecto sem receber e do crítico que está em formação?

    Como o grupo “precarious workers brigade” eu também acho que não há cenoura. Com isto assente, como podemos jogar um jogo que nos interesse?

  17. Sílvia Pinto Coelho permalink
    12 Out 2012 23:53

    Ou seja, até que ponto a profissionalização da actividade de crítico é necessária?

  18. Sílvia Pinto Coelho permalink
    13 Out 2012 0:10

    Mudando de assunto, gostava de saber se têm falado de coisas como o pensamento crítico na sua relação com a qualidade da dança/performance nos espectáculos. É qualquer coisa em que penso bastante mas ainda não cheguei a lado nenhum a não ser através da apreciação da presença e da mestria de quem está em palco (começo a ter problemas com a palavra “intérpretes”), ou através da qualidade da coreografia. Por vezes penso na forma como se fala das artes plásticas, ou da música para me levar para outros níveis de apreciação. Mas ando entalada entre “dança” e “coreografia”. A relação de quem vê e de quem dança (quem vê dança também?). O nível de vibratilidade simpática dos corpos conta na apreciação? Não acho que seja tão fácil falar de dança e performance quanto parece. Por acaso, conhecendo bem a Marlene e o Luís consigo ter uma imagem do espectáculo. Gostava muito de o ver, quando vem a Lisboa?

  19. Liliana Coutinho permalink
    13 Out 2012 13:08

    Trabalharemos sobre a crítica de dança num workshop a ter lugar em Dezembro, com Pieter Tjonck – procura Sarma (Bélgica), na lista de ligações. Nessa altura deverá também ter lugar uma conversa pública, que será divulgada através deste blogue.
    Neste momento não tenho informações sobre a vinda de “Paraíso Informe” a Lisboa.

  20. Mickael de Oliveira permalink
    13 Out 2012 19:19

    Olá a todos,

    tenho acompanhado as críticas e meta-críticas e a minha conclusão é religiosa: aleluia!
    Ainda não tive tempo nem de ligar ao Rui (PC) nem à Ana (B), para dar os meus parabéns à equipa e aos patronos do projecto. Tenho adiado um comentário meu…
    Este é um projecto que imperava para desemperrar uma prática que tem faltado em Portugal, tanto pela sua diversidade, como pela sua qualidade (colóquios sobre a matéria, dixit). Para mim, “qualidade” significa tão-somente criticar um espectáculo no seu campo, e não propor alternativas ao que não existe. O crítico é uma espécie de árbitro, (desculpem a referência clássica ao desporto), deve criar uma relação saudável entre duas equipas (criadores e públicos). Tenho algumas dúvidas quanto à crítica que pretende tecer uma larga negatividade sobre uma obra – a crítica é, no máximo, desconstrução e deve relacionar-se sobretudo a compatibilidade ou não dos materiais e das linhas dramatúrgicas contidas no projecto em questão. Quando o crítico larga a sua suspeita ou a sua negatividade em relação ao objecto, a sua fundamentação deve ser redobrada (no desporto, nomeadamente no futebol, há a questão de usar as câmaras que filmam a performance das equipas para melhorar a apreciação do corpo arbitral…). Entendo as intervenções do Jorge (SM), muitas vezes essa negatividade não é bem fundamentada em termos gerais (falo de algumas do blog como de outras críticas que pululam pelos jornais, à pressa [condições laborais, etc., pouca rotatividade dos agentes da crítica no espaço da critica, etc.]). Entendo as demais intervenções e concordo com todas elas, e acreditem que não sou uma pessoa que goste particularmente de consenso. É necessário ainda distinguir a critica do MaisCrítica (trata-se de formação), e a outra, muito profissional.

    Em contraposição à critica negativa, dou muito mais valor, enquanto leitor, à crítica e meta-crítica positivas – um discurso que constrói e desconstrói, que coloca em “evidência” os “paradoxos” dos objectos, que procure “explicar”, “desvelar” (obrigado à heidi e ao heiddeger) e que “envolva” a obra. Percebo a reflexão do Miguel (LA), porque às vezes existe uma sofisticação desnecessária, mas a mim, por exemplo, não me faz moça as citações de outros autores ([re]conhecidos ou não), aliás, sendo um amante mediano de filosofia, quando leio uma citação, dá-me logo vontade de ir ao livro, para ler ou reler. Ri-me bastante com o comentário do Miguel (CC) sobre o “tom professoral”, porque pode ser lido dessa maneira, mas acho que a atitude (depois de ler os outros comentários) é mais de provocar pensamento, debate; o Miguel (CC) deve achar o mesmo, claro. O Jorge (SM) é um adepto da provocação positiva, embora manifeste algum cansaço pelas críticas que tem vindo a receber ao longo dos anos. Eu próprio, com um pequeno CV na matéria, sinto-me cansado de ler algumas críticas, ao meu (nosso) trabalho, (desculpem o repentino auto-centrismo), tal como me sinto cansado de ler, agora enquanto leitor, todas as críticas a quase todos os espectáculos destes últimos tempos. Já não compro o jornal, físico ou virtual, por achar a crítica entediante: crítica monolítica; disparates adjectivados até à exaustão; crítica com agendas mais ou menos ocultas, etc… Sinceramente, enquanto leitor, dou muito pouco valor às linhas nas quais encontro o “gosto” ou “desgosto” do crítico em relação a um espectáculo. E odeio de morte as estrelas. Que ridículo, as estrelas. Isso ainda existe? Talvez já não… Retomando, o que é que me interessa o gosto particular de um crítico? Eu só quero que o crítico me ajude a “ler” e me estimule o “apetite” para ir ver os espectáculos. Saber se o crítico gostou ou não, não me interessa; no máximo a sua opinião e convicção íntimas podem ser lidas nas entrelinhas. De facto, quando é subtil, ainda continua a ser suportável.
    Mas o MaisCrítica, creio, com este programa de “formação” dinâmica, quer fazer com que eu fique cada vez menos cansado de ler crítica, e eu agradeço genuinamente.

    Para seguir um pouco o pensamento da Sílvia (PC), acho que o blog do MaisCrítica é uma (já velha) plataforma que continua a ser interessante, intrigante, pois propõe um outro tempo, que não é nem o do FB, nem o do jornal em papel, (e dá um óptimo espaço ao contraditório). É um intermédio, uma espécie de purgatório para a nossa inteligência. O FB é um lugar mais público (tantos amigos…), onde as vaidades são agudizadas, os argumentos mais pobres, as frases do dia chegam a ser menos interessantes que os slogans das campanhas publicitárias da coca-cola. O Blog tem um outro tempo e tem menos gente, as bocas contribuem para sedimentar um discurso, digamos, comum. As intervenções são mais genuínas do que as do FB, não existe o “vale tudo”. O FB tem servido muitas vezes para uma pura e simples afirmação. Afirmação de quê? Do Ego? Mesquinhice? Não sei. (mas já bebi dessa água). Só presto alguma reverência ao FB por permitir demonstrar que o conceito de comunidade é sempre uma virtualidade.

    Parabéns a todos, aos críticos e meta-críticos.
    Força para estes críticos, nem sempre é fácil a exposição pública, tanto enquanto “formandos, ou não”! Continuem, pf.

    Um abraço

    Mickael (DO)

    p.s.: nunca escrevi tanto a palavra “crítica”.

  21. Mickael de Oliveira permalink
    14 Out 2012 15:49

    re. p.s.: desculpem os erros.. reli e pronto: chicote.

  22. 14 Out 2012 16:52

    Olá Mickael, bem aparecido!

    Não percebo como podes concordar com todas as intervenções, acho que é uma posição impossível. Podes entende-las, mas concordar com todas ao mesmo tempo, não me parece que possas. Por ex., não concordas seguramente comigo: eu não acho que seja necessário distinguir a critica do MaisCrítica da profissional; não nos moldes em que ela está a ser feita.

    Na minha opinião a questão da formação, como penso ter explicado no post anterior (e isto não é exclusivo deste projecto, mas uma coisa comum nos tempos que correm; penso mesmo que neste projecto tal não foi tido em conta) é um outro nome para “trabalho”, trabalho com menos condições. Como referi acima, não acredito que a formação esteja aqui verdadeiramente em causa. Nunca foram precisas tantas formações como hoje em dia, sempre se fez crítica sem precisar de se passar por formações especializadas para isso, temos todos formações a mais. Se o que aqui estivesse em causa fosse verdadeiramente a formação, e não uma falta extrema de crítica e a necessidade de arranjar quem a faça e um enquadramento para ela poder emergir, as condições seriam outras: nem todos os textos teriam de ser públicos, poderia haver textos muito mais experimentais, as reacções não poderiam ser as que estão a ser, estas não seriam as únicas críticas que alguns espectáculos têm, etc, etc.

    Quanto à questão que a Sílvia coloca, “até que ponto a profissionalização da actividade de crítico é necessária”: acho que é tão necessária quanto a profissionalização da actividade dos artistas ou dos cientistas. Ambos precisam de tempo para pensar, para articular e para escrever. Articular ideias sobre obras que demoraram largos meses a pensar e a fazer não se faz do pé para a mão, nem se força, nem se forma. É preciso tempo e tem-se mais tempo se não se estiver ocupado a arranjar como subsistir, se não se andar atrapalhado com vários trabalhos precários ao mesmo tempo. Ou seja, a profissionalização da actividade do crítico – o crítico que tem tempo para ver, pensar e escrever sobre as coisas tal como elas merecem ser pensadas – só não seria necessária numa sociedade em que existisse algo como um rendimento mínimo de existência. Até lá, como o tempo em que se está a pensar para escrever uma crítica é tempo em que não se está a arranjar forma de subsistir, acho que é uma actividade que deve ser entendida enquanto trabalho.

  23. 14 Out 2012 17:21

    * aliás, que pode ganhar em qualidade (porque ganha em tempo) em ser entendida enquanto trabalho.
    Mas claro que a ideia de – numa altura em que o trabalho está a desaparecer -, se ganhar um rendimento apenas por existir é muito mais interessante, e nesse caso uma série de actividades (entre elas, quem sabe, as artes e a critica) poderiam ser feitas apenas por gosto. Ver a este respeito discussões em http://uninomade.org/tag/reddito/

    Parece-me apenas é que não estamos, de todo, nessas circunstâncias.

    • Miguel Castro Caldas permalink
      14 Out 2012 17:46

      Sim, mas então lutemos e discutamos nesse sentido, por uma sociedade com os espaços públicos abertos e vivos, com um rendimento igual para todos, então o trabalho será apenas o necessário e o suficiente para que essa repartição e distribuição seja possível. Mas até lá não podemos, não me apetece pôr em causa as actividades alternativas à lógica mercantil, e grande parte delas passam-se claramente na internet. A começar, por exemplo com a partilha livre de ficheiros. Concordo contigo, Ana Bigotte, que a formação tem aparecido na formação como uma forma velada de arranjar mão-de-obra não paga (e de que maneira), mas penso que é um exagero afirmar que isso se aplica a este caso do projecto maiscrítica. Ou, pelo menos, só podemos afirmar que o projecto mais crítica possa, eventualmente cair nesse mar por engano. Acho que o maiscrítica, quase que estaria próximo do espírito daquela outra revista fantástica que houve nos anos setenta, a «Crítica», (que eu saiba ninguém era pago) senão reclamasse para si o estatuto de «formadora». No entanto, acho muito importante que fales nisso, que alertes, é uma questão muito relevante. Eu continuo na minha, o único senão deste projecto (que é fantástico, relevante, urgente e por aí fora) é ser de «formação». não precisava de ser. Mas se não fosse, lá está, se calhar as instituições que o apoiaram não o apoiariam. Mas não podemos fazer um manguito às instituições? E aqui, estou a voltar à minha questão do princípio: ora bolas. E dá que pensar, de facto, tanta formação por todo lado. para quê? O que está por trás? O que se esconde? O que está ela a servir? Obrigado, Ana Maria.

      • Miguel Castro Caldas permalink
        14 Out 2012 17:48

        ai, os erros. é a pressa de publicar “a formação tem aparecido como uma forma velada de arranjar mão-de-obra não paga” e não “que a formação tem aparecido na formação como …”

  24. 14 Out 2012 17:58

    Acho que a referência à revista “Crítica” é boa como inspiração. Mas não era isso tudo o que isto não é? Refiro-me às condições de produção, precisamente, a relação com as instituições, o ímpeto inicial, a noção de “formação”… no caso deles não foi tudo completamente ao contrário? Mas posso estar enganada. Não conheço o projecto assim tão bem. Aliás, sabes se há informações on-line sobre isso?

    • Miguel Castro Caldas permalink
      14 Out 2012 18:08

      Sim, no caso deles era tudo ao contrário. Mas não é um-tudo-ao-contrário mas-de-outra-maneira que se pede agora também? É preciso é descobrir como. Mas este projecto, e esta discussão está a contribuir para procurar maneiras. E não é de descartar (quem sabe se não é de valorizar) a actividade crítica gratuita, sem ser subsidiada por ninguém (pois é, mas lá estão as instituições lá atrás, tem de ser «formação», senão não deixam). Vê por exemplo as actividades na casa da achada, desde as oficinas, os debates, as conferências, o cinema: é tudo gratuito. ninguém paga nem ninguém é pago.

  25. 14 Out 2012 18:18

    Não percebo a relação com a Casa da Achada. Aliás, na Casa da Achada é como no “Crítica”, tudo ao contrário, não?

  26. 14 Out 2012 18:34

    Como continuo a receber alertas de mais comentários por email, é difícil resistir a participar na discussão. Concordo com a Ana: não há razões para distinguir a crítica que se faz aqui (pelos exemplos que tenho lido) da que se faz “profissionalmente” nos jornais (e não é de agora, que me lembre nunca foi grande coisa). Nem em qualidade nem, já agora, ao nível da formação das autoras – basta olhar para os cvs para perceber que isso não falta.
    Também acho que não há nada de errado em considerar o que aqui se faz trabalho, não só porque escrever dá trabalho mas também porque em princípio se recebe alguma coisa em troca: a Ana já falou ali em cima das vantagens do grupo como fórum de discussão (e um grupo que não existe apenas virtualmente); há também uma visibilidade acrescida que pode ser interessante (todos escrevemos para ser lidos). Não me parece que a ideia de formação apague estas vantagens.
    Não é preciso ver a formação da maneira caricatural que o Miguel criticou acima. E se provavelmente não se pode pretender que se formam críticos, não há nada de errado em tentar – e aprender com isso. De qualquer modo, acho que aqui a relação professor-aluno é substituída pela de editor-autor. Imagino que os textos passam por um crivo e são sujeitos a uma leitura (crítica) antes de serem publicados, e acho que só se ganha com isso (os jornais não têm tempo nem gente para este tipo de atenção). Também não vejo, Ana, em que é que isso impede a existência de textos mais experimentais… Aliás, tudo isto é uma experiência (com a duração de um ano), ela própria uma coisa a que se vai dando forma. Acho graça por isso à okupação que estamos a fazer do post original: este paraíso está também ele em formação.
    Quanto à presença das instituições: digamos que são um mal necessário, e sublinho “necessário”. Alguém tinha de fazer alguma coisa, no estado de emergência que a Ana também descreveu acima (a absoluta falta de discurso sobre os espectáculos), e foi preciso este gesto inicial que é simultaneamente duvidoso do ponto de vista deontológico e rigoroso na imediata “separação de poderes”, já que cabe exclusivamente ao Rui, à Liliana e ao resto do grupo definir o que aqui se faz. Para além disso, as quatro instituições contribuem de forma importante para a visibilidade que mencionei no início.
    Finalmente, sobre o jornal Crítica: só parcialmente se podem comparar os contextos, e é óbvio que as diferenças são muitas e gritantes, mas, como já tive ocasião de dizer num comentário no facebook, claro que este título “Mais Crítica” se lembra do do jornal da Eduarda Dionísio e do Jorge Silva Melo. [Seria, aliás, uma interessante actividade “de formação” ler em conjunto alguns dos textos ali publicados: no mesmo post do facebook sugeri a crítica de JSM a uma encenação de Quem Tem Medo de Virginia Woolf.] Este “mais” pode ser um suplemento ou uma adenda, mais uma forma (por mais informe) de aprender.

  27. 14 Out 2012 20:40

    Assim rapidamente, que tenho de sair:

    A questão de isto ser trabalho e se fazer passar por formação incomoda-me – é verdade – mas incomoda-me principalmente se isto for apenas o mesmo do que a crítica dos jornais: se for uma maneira (gratuita) de preencher a sua falta contribuindo à mesma para o crescimento da indústria dos experts/formadores de que falei acima. A partir do momento em que for outra coisa, algo mais interessante e menos cristalizador de hierarquias já não me incomoda tanto.

    Também acho a expressão “artes performativas” muito redutora, sobretudo tendo em conta o estado do mundo e os tempos que correm. Quando até instituições culturais como o Maria Matos (nos seus ciclos dedicados ao pensamento) ou mesmo a Culturgest (em alguns dos seus debates) abordam o mundo em geral, em eventos ímapres daquilo a que se chama “curadoria discursiva”, por que razão se faz um seminário de crítica tão especializado? Num momento em que se pode falar de um “performative turn” geral por que razão insistir nas artes em particular e, concretamente, na figura do crítico?

    Se, como dizes, “okupamos” assim este paraíso foi porque aqui podemos falar à vontade, em maior número, e sem passar por editores. Podemos também dar erros, acusando assim as condições de produção em que trabalhamos, condições essas que de vez em quando nos fazem escrever à pressa, escrever mal, escrever bem, testar argumentos, escrever quando temos vontade. No espaço dos comments falas tu, fala o JSM, o Mickael, a Sílvia, o A. Branco… há muito mais vozes. Como transportar estas vozes para dentro do Mais Crítica? Gostava tanto de vos ver a todos escrever textos mais longos. Gostava tanto que parássemos com este disparate da “formação” da “crítica” e das “artes performativas” e que passássemos ao disparate maior do exercício de opinião e de pensamento.

    • 14 Out 2012 22:37

      Ana, no teu último comentário chamas disparate à “formação”, à “crítica” e às “artes performativas”: escapou-te o “seminário”! Lembraste-me aquela anedota que conta o Harold Bloom, ao comparar a “crítica literária freudiana” ao Sacro Império Romano: nem sagrado, nem império, nem romano; nem crítica, nem literária, nem freudiana.
      Percebo sobretudo as dúvidas que levantas sobre a questão da formação, articulando-as com o valor do trabalho. Por isso sugeri ali em cima uma tresleitura que trocaria o “de formação” por “em formação”. Já a especialização e a ideia de crítica me parecem indispensáveis, porque definem um objecto (embora de fronteiras instáveis) e enquadram o discurso numa tradição (mesmo que se queira romper com ela). “Curadoria discursiva” não sei o que seja, e até estou com medo de ir pesquisar.
      Já agora: adoraria ler uma “crítica de artes performativas” à “manifestação cultural” de ontem. Até podia ter estrelinhas e tudo!

  28. Liliana Coutinho permalink
    15 Out 2012 0:05

    Ana B. Vieira, em relação ao teu comentário: “Se o que aqui estivesse em causa fosse verdadeiramente a formação, e não uma falta extrema de crítica e a necessidade de arranjar quem a faça e um enquadramento para ela poder emergir, as condições seriam outras: nem todos os textos teriam de ser públicos, poderia haver textos muito mais experimentais, as reacções não poderiam ser as que estão a ser, estas não seriam as únicas críticas que alguns espectáculos têm, etc, etc.”
    Sim, agora foi preciso um enquadramento institucional para despoletar toda esta situação. Não foi sempre assim, não terá de ser sempre assim. Depende do que fizeres com outros – pessoas individuais e instituições que não são mais do que pessoas que um dia se organizaram. O que não acredito é que, neste momento, se possa fazer alguma coisa realmente relevante somente se houver uma cenoura a apontar o caminho do burro (para fazer uso de uma metáfora usada aqui por ti). Sim, já houve texto não publicado. Sim, estamos abertos a textos mais experimentais. Porque não propões textos “mais experimentais”como já te sugerimos? Até já te sugeri que tragas a tua experiência do “performative turn” para aqui – aliás, pensámos essa como uma das mais valias da tua candidatura, que poderias trazer isso para o nosso grupo – mas achas que a expressão “artes performativas” te limita. Podias utilizá-la, pensando que ela não é nada mais do que uma zona de focagem. Isto de ficarmos agarrados a conceitos e terminologias limita um pouco a prática.
    Por exemplo, a título de sugestão, porque não pegas agora nestas ideias todas que estás aqui a expôr na zona de comentários do texto da Alexandra e, com o tempo para pensar que reclamas, abres um espaço de discussão próprio neste blogue, publicando um ou vários textos mais estruturados e em relação com o que se passa no contexto das artes performativas em Portugal (focando por exemplo na questão do valor social e, consequentemente, económico, do trabalho artístico)? Podes até usar toda esta discussão como um dos materiais de trabalho para esse texto. Isto teria a vantagem de abrir a discussão a mais pessoas, não a limitando a quem está a seguir os comentários que são feitos aqui. Se bem me lembro, e partindo de questões que levantaste, esta ideia ficou no ar na última reunião e pareceste-me interessada nela. Já foi dito nas nossas reuniões e volto a dizê-lo aqui (não me apetece repetir mais senão, pelo menos para mim, torna-se aborrecido): esta estrutura de ver espectáculos/performances em conjunto e escrever sobre eles é a estrutura mínima que propomos. Fomos nós que escolhemos os primeiros espectáculos para arrancar com o seminário mas é em conjunto que escolheremos os dos próximos meses. Esta é uma forma básica para entrar em relação com o que vai sendo feito, concretamente, no mundo das artes performativas. É também um modo de termos uma experiência comum para podermos conversar sobre ela e de não escrever somente sobre o que nos vai pela cabeça. De resto, o espaço é vosso, para trabalharem sobre o que acham pertinente (espectáculos, performances, manifestação, manifesto, livros, etc, etc) mas sempre em diálogo connosco e com o resto do grupo. Penso que é esta a característica básica desta formação: um diálogo feito entre pessoas que têm posições e perspectivas diferentes e no qual as perguntas podem por vezes tornar-se incomodativas – não para destruir, mas para ajudar a definir posições e tomar consciência do que está em jogo em cada uma delas. Um blogue onde todos publicassem por igual – JSM, o Mickael, a Sílvia, o A. Branco, etc, etc- teria a sua própria legitimidade, mas estariamos a falar de uma outra situação e não do Mais Crítica.

    Deixo ainda um apontamento sobre a questão formação/trabalho, e sem desvalorizar o problema geral que apontas (convido-te somente a reflectires sobre o modo como apontas o problema; é que se apontares ao lado perdes a força que poderias usar para aquilo que, a meu ver, me parece mais importante: ajudar a transformar a situação). O Mais Crítica é uma “formação prática acompanhada”, que implica publicação e um trabalho regular de escrita. Estas condições já eram claras quando tu mesma escolheste apresentar uma candidatura e aceitaste integrar o grupo de trabalho. Se não fosse publicado o nível de trabalho seria o mesmo. Publicado torna-se uma formação realmente prática, que lida imediatamente com o contexto real ao qual se dirige, que torna muito presente o facto de se estar a escrever para alguém, que se vem encontrar com a vida e não ficar fechada na segurança de uma sala de aula (esta segurança também é importante, pois, no seu melhor, permite criar condições para que surja o ambiente de confiança necessário a todo e qualquer processo de aprendizagem; no entanto, aqui temos de a trabalhar de outro modo, não é fácil e estamos todos a aprender com a experiência).
    E entretanto, que tal deixarem de lado ideias pré-concebidas sobre o que é a “formação” para, principalmente quem está a fazê-la, participarem conscientemente na sua emergência e concretização? Talvez esta se tornasse mais proveitosa e entusiasmante para todos… deixo aqui uma ligação que pode ajudar a pensar sobre este assunto: http://educ-acao.com/2012/10/02/nao-existe-uma-so-forma-nao-existe-o-melhor-modelo/

    • Miguel Castro Caldas permalink
      15 Out 2012 0:31

      Olá Liliana, o documentário que enviaste é muito inspirador, estou agora a vê-lo, mas acho que ninguém até agora falou da “formação” de uma maneira pré-concebida. Temos estado a falar sim, é da maneira como a “formação” é usada, como é que ela aparece. E as criticas que aqui fiz, por exemplo, ao tom «professoral» também podia ter dito “paternalista”, eram aos comentários que estavam a surgir por todo lado, e não a vocês. Gostei da maneira como o Francisco Frazão pôs a coisa: «em formação» e não «de formação». «Em formação» já é todo um outro mundo. Abraços

  29. 15 Out 2012 15:28

    Olá a todos,

    e em particular ao Francisco porque me fez rir. Harold Bloom: que medo!
    Também pensei numa critica à manifestação de sábado – mas não tenho tempo agora. Entre as coisas para aqui e as coisas para ali, o meu tempo parece que não me pertence.

    “Em formação” parece-me, de facto, mais interessante. Um espaço inteiro que está “em formação” e não as pessoas, os sujeitos da (como agora se diz) “aprendizagem contínua”, ideia que aliás me parece relevar de um entendimento muito positivista do desenvolvimento – como se as últimas coisas fossem sempre as melhores, quando muitas vezes nem é assim, antes pelo contrário!

    Como tentei dizer à Sílvia, não estou a negar a ideia da especialização. Eu acho que a profissionalização da actividade do crítico – o crítico que tem tempo para ver, pensar e escrever sobre as coisas tal como elas merecem ser pensadas – só não seria necessária numa sociedade em que existisse algo como um rendimento mínimo de existência. Estou é a dizer que se o Mais Crítica não se entender enquanto formação (que não é!) mas se humildemente se assumir como uma resposta desajeitada à falta extrema de crítica (“alguém tinha de fazer alguma coisa”, foi aqui dito), pode criar as condições para ser algo muito mais interessante. Isto não é nem um jornal, nem uma revista com arbitragem científica, não nos ajuda directamente em nada e acho que indirectamente também não (a tal analogia da cenoura, as 48 pessoas despedidas no Público a semana passada). Por que razão não fazemos aqui já algo outro, algo que seja mais interessante? Algo em que se queira participar pelo que é e não por aquilo para que nos possa vir a servir (e não é isso a formação, algo que se faz em função de um depois)?
    Não sei se isso passa necessariamente por consistir na abertura total do blog, mas acho que mais gente a escrever poderia ter graça e esbateria a questão geracional que também me parece uma falsa questão.

  30. Ana Bigotte Vieira permalink
    30 Out 2012 9:33

    Esta discussão levou à minha saída do Mais Crítica. Aqui as razões: http://aindanaocomecamos.blogspot.pt/2012/10/se-vamos-falar-de-espectaculos-por-que.html

  31. Sónia Pina permalink
    30 Out 2012 17:39

    Ana,
    Tenho acompanhado este projecto e apoio a tua decisão. Não desvalorizando o projecto em si que acho muito interessante, mas talvez pelas condições que se ofereceram para o seu desenvolvimento/implementação.

    Só gostaria de acrescentar…

    “Artes Performativas” é grande invólucro para dizer muita coisa, que será o mesmo que dizer, coisa nenhuma. Convém ter presente que os géneros são vários, pelo que, será virtualmente impossível chegar a consenso acerca do que está incluído na classificação “Artes Performativas”, talvez tivesse sido boa ideia ter-se iniciado por essa clarificação;
    Também, a nossa elite cultural está bem circunscrita, pelo que, nem sempre é fácil veicular outras correntes ideológicas que vertam para outras classificações que não o teatro…

    Enfim, nada de novo…

    Como nota, discordo quando dizem que a actividade crítica não deve ser profissionalizada, acho sim, que actividade de crítica não deverá ser academizada e/ou institucionalizada. Mas isto seria conversação para outro plenário…

    Parabéns pela iniciativa!
    Sónia Pina

  32. 4 Fev 2013 6:05

    O senhor JSM, nos comentários que faz neste blogue, parece um daqueles presidentes dos clubes de futebol, de um dos três grandes. A pressionar a arbitragem. A soltar ironias e insultos entre rosnadelas. E aqui desde logo muito cedo para os novos críticos terem medo quando “forem arbitrar um jogo” dos AU. Até os amigos dele aparecem aqui. Não tenham medo nem receios. Ele não morde. Só quer atenção e ser professor de toda a gente. Mas nem toda a gente quer ser aluno dele. Tem-se visto por aqueles que ao longo dos anos saltaram fora dos AU… Não o levem demasiado a sério e ignorem os pontos de interrogação. E força para a Mais Crítica.

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