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Mais Mais Crítica

5 Oct 2013

O Seminário de formação para críticos de artes performativas, Mais Crítica, chegou ao fim do seu primeiro ciclo. Findos estes primeiros doze meses de existência, é fácil constatar que as razões que levaram ao surgimento desta iniciativa mantêm-se, todas elas, intactas. A situação da crítica sobre artes performativas em Portugal mantém-se precária e cada vez mais fragilizada. Portanto, é vontade das instituições promotoras do Mais Crítica repensar o modelo de formação e desenhar um novo seminário que continue a incentivar o aparecimento de mais vozes críticas na cena nacional.

As autoras que até aqui alimentaram este blogue preparam agora uma nova plataforma de crítica onde poderão dar continuidade à sua prática. Em breve, aqui divulgarão mais informação.

VISItINg artIStS | a crítica como ferramenta para a criação

12 Jul 2013

MAPP

No âmbito da programação MAP/P – Mostra de Processos / Portugal encontro aberto com o público, resultado do workshop VISITING ARTISTS (9-13 julho) com Jeroen Peeters (BE) – Amanhã  – 13 Jul | sáb 12:00 | Mosteiro São Bento da Vitória | Porto.

Cozinhar os Sons [Concerto em Auscultadores]

28 Jun 2013
 LFemmesSavantes38©SilvanaTorrinha
Foto de Silvana Torrinha, Fundação de Serralves.

Concerto em Auscultadores. Les Femmes Savantes. Interpretação: Sabine Ercklentz (composição, trompete, eletrónica), Hanna Hartman (composição, objetos, eletrónica), Andrea Neumann (composição, interior de piano, mesa de mistura), Ana Maria Rodriguez (composição, eletrónica), Ute Wassermann (composição, voz, apitos, objeto). Museu de Arte Contemporânea da Fundação de Serralves, Parque de Estacionamento, 16 de junho de 2013, às 19 horas.

Auscultação: inspecionar os ruídos dos corpos. Este é o ofício a que se propõe o coletivo Les Femmes Savantes no concerto apresentado no Museu de Arte Contemporânea de Serralves e para o ciclo Matérias Vitais.

Composto por cinco mulheres, artistas de diferentes nacionalidades mas residentes em Berlim, Les Femmes Savantes apropriam-se do título da célebre comédia satírica de Molière (1672). E é também com humor e inteligência que exploram um exigente trabalho de sonoplastia em torno da relação – no feminino – com diferentes superfícies e texturas orgânicas ou objetuais.

Em Concerto em Auscultadores, as bancadas saltam para o interior do palco do auditório, criando o ambiente intimista a que esta programação nos vem habituando e cada espetador coloca os auscultadores que lhe estão destinados. Ao centro, seis  mesas com objetos distintos e uma tela localizam as sete peças, que vão sendo sucessivamente iluminadas.

Na primeira, uma papa de aveia ferve em três tachos acompanhada ao trompete. Os ruídos produzidos são praticamente inaudíveis, por isso forja-se a sua perceção mais profunda, através da amplificação acústica. Assim, os microfones, as mesas de mistura e as dezenas de cabos conectados convivem habilmente com instrumentos e materiais do quotidiano: colhetes de pau, uma jarra com água, um esfregão, apitos, várias bolas e um leitor de CD… criando um ambiente sonoro rico e inaparente na sua relação com os objetos. No solo de Ute Wassermann são experimentadas as hipóteses multifónicas da voz humana, proposta de um workshop e performance, realizado durante o Serralves em Festa. Além dos objetos, também processos fisiológicos como o da deglutição (de batatas fritas com ketchup, de uma maçã…), ou da própria movimentação orgânica do corpo humano são penetrados até à ínfima música do seu interior. Mas há lugar, ainda que como complemento, para o vídeo: um jogo abstracionista feito da repetição de imagens e efeitos de luz e sombra no palco.

Descontraídas e seguras, o grupo das mulheres “sabichonas” cozinhou o universo dos micro-sons na direção direta dos nossos ouvidos. Um concerto em que o mínimo se torna máximo.

Nota: Texto elaborado no contexto da colaboração do ciclo Matérias Vitais com o Mais Crítica.

Texto Mais Crítica no P3

28 Jun 2013

Ciclo Matérias Vitais

Mais um texto Mais Crítica fora do blogue: texto publicado no P3- Akio Suzuki & David Maranha: Xamãs Contemporâneos, elaborado no contexto da colaboração do ciclo Matérias Vitais com o Mais Crítica. No Museu de Arte Contemporânea de Serralves, 16 de Junho de 2013.

Chamada à participação – Generative Indirections

28 Jun 2013

Uma chamada à participação aberta até ao dia 13 de Julho:

OPEN CALL

Generative Indirections

Performance Studies international regional cluster

September 5 to 8, 2013, Montemor-o-Novo, Portugal

a baldio event

Researchers and practitioners of performing arts, visual arts and other arts that perform ideas and worlds are invited to participate in the residency Generative Indirections – Performance Studies International event, a PSi (Performance Studies International) Regional Research Cluster to be held in a 3 day event at Espaço do Tempo (Convento da Saudação), Montemor-o-Novo, Portugal.

The event will have the format of a residency, organised in plenary discussions and workshops. At the end of the day, keynote lectures, open to the general public, will take place at baldios or commons, in abandoned public land, in a performative gesture.

Researching the relations between ongoing artistic, social and political forms of life, Generative Indirections intends to explore the potentialities of performance studies in the critical space between the Social Sciences, Humanities and Art, and give voice to counter hegemonic epistemologies, blurring theory and practice. “In-direction”, thus, becomes a magnetic field, moving between theory and practice, challenging disciplinary boundaries in order to question how Performance Studies can be received in Portugal.

We find it relevant to create a dialogue between Performance Studies and three texts written in different types of Portuguese, from three different parts of a post-colonial world: Epistemologies of the South, Boaventura Sousa Santos (Portugal), Neo-Animist Decalogue, Ruy Duarte de Carvalho (Angola) and Anthropophagic Manifest, Oswald de Andrade (Brasil). These texts will be our starting point for this meeting. They invite us to think about the premises of contemporaneity, in Portuguese, from a non-Eurocentric perspective.

The idea of hospitality, a “doing-together”, is the modus operandi for this international event, through which we hope to build a dialogue whose boundaries are necessarily broad. We ask how Performance Studies can currently be received in Portugal, questioning the context of where we come from and the productive possibilities of what we can be.

Deadline for submission:  July 13, 2013

Please submit your application to: generative.indirections@gmail.com. Pease, insert on the subject “Generative Indirections proposal, Montemor 2013”

Sobrevivemos! [ZOS (She Will Not Live)]

23 Jun 2013

15_joana

Criação e interpretação: Joana von Mayer Trindade. Criação-direcção: Hugo Calhim Cristovão. Assistência: Paula Cepeda Rodrigues. Aconselhamento de luz: Rui Barbosa. PT.13 Mix Program # 2. White Box, 31 de Maio, 2013.

Uma mulher nua, uma garrafa de vodka, molas da roupa, um batom vermelho, um robe roxo. Há uma mulher nua com saltos altos pretos ao fundo do lado direito, é uma mulher robusta, com um corpo pouco atlético. Uma imagem forte, enigmática.

Zos? O que significa Zos? Uma palavra derivada do grego antigo que significa vida…

A vida de uma mulher só, despida, mas calçada. Ela inicia o solo com a garrafa, a sua expressão é séria, os movimentos são simples e mecânicos. Há desde logo uma tensão provocada pela nudez e pela manipulação da garrafa. Há como que uma decadência na expressividade desta mulher. Desespero? Uma mulher alcoólica? Ela bebe um trago, como que a preparar-se para a execução de algo. A execução da sua própria vida talvez. A fragilidade da vida retratada pela exposição do seu corpo nu entregue ao olhar público. No entanto a sua fragilidade é sustentada pela segurança com que se move.

Depois dirige-se para as molas da roupa, coloca-as numa parte do corpo – um quadro previsível para o decorrer dos acontecimentos – o corpo é o suporte, as molas servem o propósito. Em seguida abana violentamente o corpo até as molas se soltarem. Repete a cena várias vezes explorando diferentes partes do corpo. Há um misto de masoquismo e provocação que se torna mais evidente com o desenvolvimento da peça. A intérprete bate violentamente com o robe roxo na zona púbica inúmeras vezes, para que não restem dúvidas, e simula uma cena de masturbação com a garrafa.

O solo cresce em intensidade tornando-se cada vez mais agressivo. Por momentos parece que está prestes a agredir o público. Escreve freneticamente “she will not live” no seu corpo com o batom vermelho. Se esta peça pretendia ser uma interpretação da origem da performance art (como enunciado na sinopse), parece-me uma interpretação bastante superficial deste fenómeno iniciado na década de 60. Inúmeros artistas ao longo dos anos apresentaram performances que utilizaram o corpo como meio, ligados à arte conceptual, convidando à reflexão O que a intérprete se limita a fazer em ZOS (She Will Not Live) é uma série de actos de violência explícita aplicados ao seu corpo – que poderia ser comparada à body art, também da mesma altura – sem no entanto se verificar uma exploração quer coreográfica, quer no modo como manipula os objectos ou o corpo. Não chega a introduzir novidade ou surpresa na sua reinterpretação deste estilo artístico.

Este espectáculo integrado no Mix Program, dedicado a jovens criadores, justifica a falta de coerência que existe entre a intenção e o resultado final. No entanto, ao ser exibido nesta plataforma sugere que seja um destaque promissor do panorama actual português da dança contemporânea. Talvez seja uma primeira pesquisa inconsequente e corajosa por parte da criadora/intérprete. Como um primeiro despojar de capas protectoras, para depois proceder à exploração de algo mais profundo. Fica a dúvida.

She will not live? Sobrevive ou não? O público sobreviveu a Zos (She Will Not Live)… Termina sentada cuspindo vodka.

Femmes savantes em exploração sonora

23 Jun 2013

AN SE 24

Andrea Neumann & Sabine Ercklentz. Pioneirinnen der Klangforschung. [Pioneiras da Investigação do Som]. Museu de Arte Contemporânea de Serralves: Sala Multiusos, 15 de Junho de 2013, 19h.

Para Andrea Neumann e Sabine Ercklentz, , músicas experimentais e performers sediadas em Berlim, os seus instrumentos não são simples dispositivos mediadores entre o corpo e o som, mas prolongamentos corporais ou superfícies onde o corpo penetra e, neles, se torna agente. O som não é somente a devolução do sopro, no caso do trompete de Sabine, nem do toque, no piano desmantelado de Andrea. Há uma expressão performativa do corpo no espaço, do corpo nos instrumentos e da tecnologia a subverter qualquer certeza do que presenciamos.

Esta contaminação entre a (i)materialidade do corpo, som, objectos e tecnologia instala este evento, confortavelmente, no ciclo Matérias Vitais, a decorrer no Museu de Serralves, no Porto.

Um evento tripartido: solo de Sabine Ercklentz (trompete, electrónica), solo de Andrea Neumann (piano desmantelado, electrónica), seguido da projecção do filme “Pioneirinnen der Klangforschung” [Pioneiras da Investigação Sonora] – projecto de vídeo em colaboração com a fotógrafa Anja Weber, musicado ao vivo pela dupla.

No primeiro momento, estão dispostos vários e diferentes amplificadores sonoros numa extremidade da sala multiusos. Com o trompete, Sabine Ercklentz deambula pelo espaço e improvisa sons, ruídos, grunhidos e sussurros. Interage com os amplificadores e com o som manipulado que emitem, altera o seu posicionamento e direcção, modelando os cheios, os vazios e o espaço-entre que o som produz.

Num segundo momento, Andrea Neumann opera o seu piano desmantelado (versão desconstruída do piano preparado de John Cage), colocando objectos entre as cordas, improvisando paisagens electro-acústicas metálicas, abstractas e, por vezes, estranhamente familiares. O seu corpo inicia movimentos subtis: o acento de um ombro, a oscilação do tronco ou da cabeça e, desconcertados, apercebemo-nos que é o movimento do corpo o agente sonoro, mediado por imperceptíveis ligações electrónicas.

No final, as artistas musicam o filme “Pioneirinnen der Klangforschung” no qual abordam, não sem ironia, o imaginário idílico do homem (neste caso mulher) modernista, pioneiro(a) na exploração da natureza e, com um piscar de olhos, satirizam a comparação ingénua e frequente entre a sua música e os sons da paisagem. No filme, a androgenia de Sabine e Andrea recordam-nos figuras femininas do modernismo do século XX, nomeadamente, a escritora e fotógrafa Annemarie Schwarzenbach. Ainda, o cenário do filme poderia bem ser o habitat natural de comunidades contra-cultura da época, como a colónia Monte Veritá, onde intelectuais e artistas partilhavam projectos sociais, artísticos e relacionais alternativos.

Sabine e Andrea, cada uma com uma escultura cónica auditiva, exploram a paisagem na prospecção íntima das suas sonoridades e ruídos. Não se tratará aqui de um apologia da imersão sonora do homem numa natureza (perdida) mas, ao invés, uma sátira de duas femmes savantes que, em cenário idílico e mediadas por dispositivos auditivos, reiteram a contaminação inescapável do homem e da tecnologia na sua relação com o mundo.

Nota: Texto elaborado no contexto da colaboração do ciclo Matérias Vitais com o Mais Crítica.

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